Há alguns dias a amiga Aline do blog TRIBARTE me dedicou esta música em uma de suas postagens, a letra mexeu muito comigo, principalmente o trecho "O que não te mata te faz mais forte (...) te faz um guerreiro. Te faz dar passos mais leves."
O que não te mata, te faz mais forte
Te faz sentir maior
Não significa que estou só quando estou sozinha
O que não te mata, te faz um guerreiro
Te faz dar passos mais leves
Não significa que estou destruída só porque você se foi
O que não te mata, te faz mais forte, forte
Somente eu, eu mesma e eu
O que não te mata te faz mais forte
Te faz sentir maior
Não significa que estou só quando estou sozinha
Graças a você eu tenho começado algo novo
Graças a você eu não sou a do coração partido
Graças a você finalmente eu estou pensando mais em mim
Sabe, no fim, o dia que você se foi, era apenas o meu começo
Toda mulher gosta de rosas
E rosas e rosas
Muitas vezes são vermelhas
Mas sempre são rosas...
Você pode me ver
Do jeito que quiser
Eu não vou fazer esforço
Prá te contrariar
De tantas mil maneiras
Que eu posso ser
Estou certa que uma delas
Vai te agradar...
Ilustrações do livro com bordados das irmãs do autor.
Tenho um livro sobre águas e meninos. Gostei mais de um menino que carregava água na peneira. A mãe disse que carregar água na peneira era o mesmo que roubar um vento esair correndo com ele para mostrar aos irmãos.
A mãe disse que era o mesmo que catar espinhos na água O mesmo que criar peixes no bolso.
O menino era ligado em despropósitos. Quis montar os alicerces de uma casa sobre orvalhos. A mãe reparou que o menino gostava mais do vazio do que do cheio. Falava que os vazios são maiores e até infinitos.
Com o tempo aquele menino que era cismado e esquisito porque gostava de carregar água na peneira
Com o tempo descobriu que escrever seria o mesmo que carregar água na peneira.
No escrever o menino viu
que era capaz de ser
noviça, monge ou mendigo
ao mesmo tempo.
O menino aprendeu a usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.
Foi capaz de interromper o vôo de um pássaro
botando ponto final na frase.
Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.
O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor!
A mãe reparava o menino com ternura.
A mãe falou: Meu filho você vai ser poeta.
Você vai carregar água na peneira a vida toda. Você vai encher os
vazios com as suas
peraltagens
e algumas pessoas
vão te amar por seus
despropósitos.
(Manoel de Barros)
O conto-poesia "O menino que carregava água na peneira" está no livro "Execícios de ser Criança" do escritor Manoel de Barros.
O menino Manoel cresceu no Pantanal, onde "aprendeu a ver com olhos de pássaro" e hoje ainda menino, embora com 96 anos, conta suas memórias de maneira leve, encantadora, bela e instigante. Sua poesia é prazerosa para os pequenos e reflexiva para os adultos, que muitas vezes deixa de lado os detalhes da vida em prol de algo que julga maior e mais importante.
"Passava os dias ali, quieto, no meio das coisas miúdas.
E me encantei."
"Poesia é voar fora da asa" (Manoel de Barros)
Quer ouvir algumas poesias do poeta Manoel de Barros?